Reestruturação do STIS do Alto Ave // Alto Ave Health Information System Reconstruction

O Centro Hospitalar do Alto Ave, EPE (CHAA) é composto por três unidades (Unidade de Guimarães, Unidade de Fafe e Unidade de Cabeceiras de Basto). Atualmente o CHAA tem por área de influência os Concelhos de Guimarães, Fafe, Vizela, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Felgueiras e abrange cerca de 400 mil pessoas.

No CHAA trabalham cerca de 1800 colaboradores. O Serviço de Tecnologias e Sistemas de Informação (STSI) é composto por seis colaboradores e é responsável pela manutenção de toda a infraestrutura que suporta as aplicações em produ-ção bem como da gestão de novos projetos que envolvam TIC na respectiva implementação e suporte. O elevado nú-mero de sistemas informáticos existentes, a sua heteroge-neidade e diversidade tecnológica, bem como o elevado grau de dependência dos processos de negócio dos respeti-vos sistemas, originou uma crescente dificuldade de respos-ta do STSI. Os serviços disponibilizados pelo STSI não satis-faziam as necessidades dos processos de negócio e dos seus atores, sendo estes serviços essencialmente reativos.

Ao longo deste artigo será feita uma caracterização mais detalhada dos problemas existentes e das principais moti-vações para a mudança. Será realizada uma análise compa-rativa entre os referenciais ITIL, COBIT e ISO20000 e as razões da escolha do ITIL na reestruturação funcional do STSI. Será ainda descrita e detalhada a solução implemen-tada bem como os processos e funções que suportarão a referida reestruturação.

(…)

Para suportar a reestruturação funcional ao nível operacio-nal, quer dos processos quer das funções do STSI e conside-rando os problemas e dificuldades já mencionados foram analisados os referenciais ITIL, ISO20000 e COBIT. Foi reali-zada uma análise a cada um dos referenciais, pontos fracos e pontos fortes bem como os principais objetivos dos mes-mos. O ITIL contempla um conjunto de processos e funções mais orientados para os processos operacionais de um ser-viço de tecnologias e sistemas de informação. É composto por 27 processos e 4 funções. O sucesso deste referencial tem levado a que seja o mais adotado a nível mundial e como consequência perspetiva-se que as versões futuras incluam funcionalidades que permitam a sua adoção a ou-tros sectores da área de atividade dos serviços diferentes das TIC.

O COBIT contempla um conjunto de processos mais orien-tados para definição de planos estratégicos, auditoria e controle de processos, posicionando-se assim como melhor referencial para a área de gestão estratégica e tática e au-ditoria dos processos. Embora também contemple proces-sos para a área operacional, concluímos que o ITIL era o que melhor respondia a este tipo de necessidades.

A ISO 20000 foi desenvolvida, tendo como base o ITIL V2 e é essencialmente vocacionada para os STSI que pretendam obter a certificação de qualidade ISO20000. O facto do re-ferencial ISO20000 ter origem no ITIL V2 e considerando como já foi referido a maior utilização do ITIL, levou-nos a optar pelo ITIL em detrimento do ISO20000.

Da análise realizada e considerando os problemas existen-tes no STSI do CHAA e consequente necessidade de reorga-nização, conclui-se que o ITIL seria o referencial que me-lhor se ajustaria às necessidades identificadas. Foi valoriza-do também o facto da adoção do ITIL potenciar também uma eventual e futura candidatura à certificação ISO20000 do STSI.

(Excerto / eSaúde 01)

Autor: João Miranda

Profissionais de Saúde e as TIC // eHealth Professionals (Luís Cunha Ribeiro)

O atual presidente da ARS Lisboa e Vale do Tejo, Luis Cunha Ribeiro, foi a personalidade escolhida para inaugurar a secção de entrevista na revista eSaude, que se pretende um espaço regular de apresentação das diversificadas relações que os Profissionais de Saúde têm com as tecnologias de informação e do trabalho que neste domínio têm vindo a desenvolver.

Para quem não sabe bem ao que vai, conversar com o Dr. Luís Manuel Cunha Ribeiro (LMCR) é um misto de espanto, de aprendizagem e de agrado.

De espanto, porque expressões como Kernel, Pascal, C, lógica fuzzy, Unix, algoritmos, BI, agentes inteligentes, cluster, bases de dados, SAP, simulação, RDIS ou modelos matemáticos surgem com a mesma naturalidade com que surgiriam numa reunião de profissionais de SI, se daqueles já com experiência assinalável. De aprendizagem, porque os projetos e as ideias não apenas se sucedem em catadupa mas sobretudo porque verificamos a consistência estrutural e o carácter inovador que lhes estiveram/estão associados. E de agrado, porque LMCR não só é um exímio contador de histórias como é mestre em ilustrar o seu pensamento com exemplos da vida, do professor Joaquim Maia a Steve Jobs, passando por Rudolph Giuliani.

Tudo isto sem perdermos de vista que – como faz questão de sublinhar – “as tecnologias são o meu hobby. A minha profissão é a de médico, que sempre exerci a 100% ” e que nos últimos anos tem assumido diversos cargos de gestão de topo. Vamos então à impossível missão de tentar resumir o nosso encontro…

(…)

Sobre os SI na saúde e o papel dos seus profissionais o grande desafio atual é para LMCR “passarmos da informação ao conhecimento!”. “Precisamos de desenvolver siste-mas que permitam transformar a enorme quantidade de informação que está disponível em conhecimento útil para tratar as pessoas. Para chegar mais depressa, para melhorar a acessibilidade, para sermos mais eficazes, para aumentar a qualidade dos sistemas…”. Para LMCR um aspeto impor-tante desta evolução na saúde rumo ao conhecimento é a integração da informação. “O médico quer ter conhecimen-to ao seu dispor e não propriamente a tecnologia. Quer sistemas expeditos, simples e eficazes que lhe forneçam a informação de uma forma integrada e natural.” Na sua opi-nião “este não é um problema que possa ser resolvido nem pelos informáticos nem pelos médicos. A única solução para adotar este caminho é criar equipas multidisciplinares, que falem a mesma linguagem.

(Excerto / eSaúde 01)

Seis perguntas a… // Six questions to… Raul Mascarenhas

1. O que mudou com a passagem das TSI (Tecnologias e Sistemas de Informação) da ACSS para a SPMS?

É necessário clarificar que não se tratou de uma (mera) passagem das TSI da ACSS para a SPMS, EPE. A SPMS, EPE passou a incluir na sua missão a prestação de serviços partilhados na área das TSI, passando a deter competências de autoridade neste campo, com serviços que pode ser determinada a obrigatoriedade para todas as entidades do SNS. Isto é muito mais do que as competências originárias da ACSS. E obviamente para desempenhar estas funções, que ficaram reforçadas com a determinação de que a SPMS, EPE é o representante sectorial do Ministério da Saúde no GPTIC., a SPMS, EPE herdou o património intelectual e material do SNS em matéria de TSI.  Com a estrutura empresarial dotou-se assim o SNS de uma entidade com uma agilidade e capacidade de contratação condizente.

2. Quais são os principais objetivos definidos para a SMPS para este seu mandato?

A principal preocupação da SPMS, EPE é instrumental: Fazer mais com menos. Para isso recorre aos mecanismos de racionalização de compras, a agregação e disponibilização generalizada ao menor custo e maior qualidade. É assim na aquisição de medicamentos e dispositivos médicos para
consumo hospitalar ou nos cuidados primários, como é assim nas TSI.

Neste campo específico são emblemáticos os projetos de:
– Plataforma de Dados de Saúde;
– Prescrição Eletrónica e sua Desmaterialização no contexto DCI;
– Melhoria dos registos centrais (Utentes, Prescritores, Locais de Prescrição);
– Suporte generalizado 24*7 com progressiva coordenação de
infraestruturas, melhoria da rede da saúde;
– Atualização do património aplicacional existente num enfoque em suporte ao utente
independente da estrutura corporativa e organizacional;
– Enfoque em serviços do utente, nomeadamente o seu portal, eAgenda, marcação de consultas
com call-centre de suporte, eVacinas, etc.

(Excerto / eSaúde 01)

esaude01

Editorial 01

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ESAÚDE 01

Vivemos um momento e um movimento relevantes no domínio dos Sistemas de Informação na Saúde. Este sentimento surge instanciado nos muitos eventos em que como profissionais temos participado, nos fóruns que nas diversas manifestações da Web 2.0 estão disponíveis, nas iniciativas e nos projetos que decorrem, no âmbito local, regional, nacional e internacional. O entusiamo que sentimos no lançamento do livro ‘Sistemas de Informação na Saúde’ reforçou a nossa convicção que seria oportuno e útil dar corpo a um novo projeto centrado nesta temática, que pudesse promover este entusiasmo e gerar sinergias, envolvendo de novo vários tipos de atores: profissionais de Sistemas de Informação, profissionais de Saúde, gestores, entidades e organizações, academia, fornecedores,... Com a equipa reforçada, iniciamos o lançamento de dois ‘artefactos’: 1. o www.esaude.pt, um sítio que se quer dinâmico e atual, que vá dando conta de eventos relevantes e que permita à comunidade uma troca de ideias e conhecimentos ágil e espontânea. 2. o eSaude, um magazine em formato digital, para o qual se pretende uma periodicidade trimestral, de distribuição gratuita, com conteúdos mais pensados e estruturados. Por razões operacionais - e porque era importante dar o “pontapé de saída” - este primeiro número do eSaude assenta ainda uma boa parte nos contributos da equipa. Mas esta será historicamente a exceção, já que este projeto foi criado para a comunidade e é a partir dos seus membros, da sua experiência e do seu conhecimento que se esperam os contributos e a criação de valor. Por tudo isto boa leitura mas também... boa escrita!

Os Editores