Chegou a eSaúde 04 !

ESAÚDE 04

Estimado leitor. A edição nº4 da revista eSaude demorou mais do que estava previsto, mas podemos assegurar-vos que valeu a pena! Consideramos que esta edição em particular é de uma riqueza singular. Sempre fiéis ao compromisso inicial, foi no terreno e junto dos profissionais que colhemos os artigos que formam esta edição. Desde as áreas da gestão da saúde ao IT governance; às arquiteturas empresariais; ciclo do processo clinico eletrónico; interoperabilidade para a saúde, etc. até ao website da esaude e ao novo grafismo, a revista cresceu em todas as dimensões. Encontra-se a partir deste momento disponível gratuitamente para consulta continuando a merecer as... críticas e os contributos dos profissionais que se ocupam e se preocupam com a utilidade e a evolução dos Sistemas de Informação da Saúde.
entrevista

Profissionais de Saúde e as TIC // eHealth Professionals (Adalberto Campos Fernandes)

Adalberto

“Não se pode tornar eficiente o que não se conhece”

“You cannot make efficient what you do not know”

Sendo-lhe reconhecida uma grande sensibilidade para a área das TIC e do papel das tecnologias na gestão, o Prof. Adalberto Campos Fernandes é presença frequente nos debates e nas reflexão sobre estas temáticas, o que – reconheça-se – não é muito frequente ao nível dos gestores em geral, e na saúde em particular.

A minha experiência anterior sempre foi no sentido de uma grande utilidade dos sistemas de informação. Eu aprendi que transformar uma organização implica a capacidade de agilizar os processos e de tornar transparente aquilo que nós fazemos. Os SI são por isso uma enzima crítica para a transformação “metabólica” de uma organização. A transformação de uma organização complexa, de grande dimensão e de grande tradição torna necessário um “choque de gestão”. Precisa de se modernizar, de se tornar mais eficiente mas, não se pode tornar mais eficiente aquilo que não se conhece.

Nesse sentido, houve desde início no HSM uma grande aposta na desmaterialização dos processos, acompanhada da convicção que a informação e as TIC deviam ser aceites pelos profissionais como “coisas boas”. O computador e as aplicações não podem ser vistos como uma barreira entre o médico e o doente, não podem ser encarados pelos profissionais de saúde como um obstáculo à sua atividade mas sim como um apoio à sua atividade. As soluções que foram aparecendo, foram sempre introduzidas na instituição com o cuidado de simplificar e facilitar.

Este princípio aplica-se num Hospital com a dimensão do Hospital Santa Maria mas aplica-se também ao país, para o conjunto dos seus sistemas de saúde. A eficácia e os resultados de uma reforma dependem da nossa capacidade de conhecer bem aquilo que fazermos, de mostrarmos às pessoas que sabemos o que fazem e como fazem, permitindo-lhes ter informação de retorno de qualidade, numa partilha de informação entre profissionais, utentes, gestores e decisores. O sucesso de um processo de reforma depende das TIC como nós dependeríamos de água no deserto.

(Excerto / eSaúde 04)

As a well known personality for his knowledge in Information and Communication Technologies (ICT) and for recognising the importance of Management  for  this area,  Prof. Adalberto Campos Fernandes is thus a regular guest at debates focused on these topics –  something that isn’t very common if we think about managers and specifically in healthcare.

My previous experience showed me that information systems are very useful. I learned that reconstructing an organization would require the ability to fasten processes and make our work more transparent. The Information Systems (IS) are therefore a “critical enzyme” for the “metabolic” transformation of the organization. The transformation of a complex organization, of a big dimension and great tradition, makes a sudden management shift necessary. [The organization] needs to evolve, become modern and more efficient, but you cannot make efficient what you do not know.

There was therefore, since the begining, at Santa Maria Hospital (SMH) a great effort towards the dematerialization of processes because of the belief that information and the ICT should be seen by the professionals as a good thing. Computers and applications cannot be seen as a barrier between doctor and patient, an obstacle to his activity but rather as support. The carefully developed solutions were introduced to make work easier and simpler.

This principle can be applied both to a Hospital with the dimension of SMH and to our country’s care facility systems. The efficiency and results of a reform of this kind, are related to the access to information regarding its positive evolution by the professionals and extending the application of this approach also to patients, managers and decision makers. The success of a reform depends as much on the ICT as we would depend on water in the desert.

(Snippet / eSaúde 04)

Carlos-Sousa

Maturidade do Processo Clínico Electrónico // Health Record Status

Fechar o Ciclo, Elevar o Padrão

Depois de alguns anos a participar em projectos de implementação de SI em Saúde, acompanhando ainda à distância, outros tantos projetos de colegas no setor publico e privado, julgo poder ser interessante discutir não tanto o percurso mas antes a maturidade alcançada e uma visão sobre o que poderíamos construir no curto-prazo.

Em primeiro lugar, referir que não me parece existir qualquer diferença na abordagem, nas soluções e nos outcomes, a este respeito, entre o sector público e privado. Em ambos, o driver será responder às mesmas questões, mesmo que em diferente percentagem de relevância ou interesse.

  • Como otimizar a operação para reduzir custos?
  • Como dinamizar o registo da atividade clínica, normalizar a sua estrutura de informação, constituindo verdadeiro significado?
  • Como aplicar NOC e demais guidelines, desmaterializando-as sob a interface do utilizador?
  • Como assegurar o apoio a decisões mais informadas e cuidados mais seguros?

Com exceção de um dos principais grupos privados, os demais terão baseado as suas decisões através da adoção de soluções consagradas no SNS, sem rutura pela inovação, perdendo talvez a mais-valia da tecnologia de sistemas de informação como elemento diferenciador para o serviço prestado. Mais recentemente, e com a estagnação das soluções propostas desde o seculo passado pelo Ministério da Saúde, o sector privado começa a demonstrar algum poder de iniciativa suficientemente diferenciado, revelando finalmente maior maturidade na adoção e gestão das TIC em Saúde.

(Excerto / eSaúde 04) 

Autor: Carlos Sousa

e-patient

A Solução Vital // The Vital Solution

Projecto Desenvolvido no Centro Hospitalar de São João

O facto de um projeto obter notoriedade nacional através da conquista de um conjunto de prémios nacionais atribuídos por respeitáveis instituições (CIO Awards 2014, Excelência no Setor da saúde no Kayzen Lean 2013 e HealthCare Excellence – Atribuido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, entre outros) é, em si mesmo, uma notícia de relevo.

Quando esta notoriedade assume uma dimensão internacional, como acontece com a solução Vital, desenvolvida no Centro Hospitalar de São João (CHSJ) – que, entre outros,obteve o prémio Microsoft Health Users Group Innovation Awards 2014, atribuído pela Microsoft Corporation, em Orlando, em 2014 e o prémo ITEuropa’s European IT & Software Excellence Awards 2014: Big Data, Business Intelligence & Analytics Solution of the Year – importa conhecer melhor o projeto.

A solução Vital retira a sua designação das funções da filosofia a que está associada (VIgilância, MoniTorização e ALerta) e foi desenvolvida pelo CHSJ, em parceira com a empresa portuguesa DevScope. Em pleno funcionamento em todos os serviços do CHSJ, foi desenvolvida com base nas contribuições de uma equipa multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros e especialistas em tecnologia de Business Intelligence, ilustrando a importância e as mais-valias que podem ser obtidas da colaboração estreita entre profissionais de Saúde e os profissionais das TIC

(Excerto / eSaúde 04)