Plataforma de Dados de Saúde // Health Record Platform

A partilha de informação de saúde já é uma realidade

A partilha de informação entre organizações prestadoras de cuidados de saúde, e entre estas e o utente, traduz-se em benefícios a vários níveis de entre os quais se destacam, a segurança para o utente, o apoio à boa prática clínica e a redução de custos por maximização de recursos de informação e conhecimento. A informação historicamente registada em múltiplos sistemas eletrónicos legados e atualmente em uso em todas as organizações de saúde em Portugal, constitui um manancial fundamental de dados de saúde sobre os portugueses, apesar de distribuída, heterogeneamente registada e colocando desafios sociotecnológicos no seu acesso. A disponibilização da plataforma de dados de saúde – PDS – que apresenta um somatório potencial de toda a informação já presentemente registada sobre o utente, em cada uma das organizações isoladamente, traduz-se numa maior capacidade de gerar conhecimento sobre o caso em causa. A disponibilização de informação através de barreiras físicas e organizacionais tradicionais: cuidados saúde primários, hospitalares e dados de organizações privadas e convencionadas, apresenta elevado potencial no que diz respeito a diminuição de custos associados à obtenção da mesma informação por falta de acesso. Uma das áreas onde tal impacto poderá ser comprovado será a diminuição do recurso a determinados meios complementares de diagnósticos, mormente análises laboratoriais, ou outros. A Plataforma surge como um projeto no âmbito da Comissão de Informatização Clínica (CIC), constituída no dia 06/Dez/2011 por despacho do Sr. Secretário de Estado da Saúde Dr. Manuel Teixeira e teve desde o seu início dois grandes pilares de definição e implementação. A realidade nacional, composta por sistemas tecnologicamente e arquitecturalmente avançados bem como de sistemas com mais de duas décadas de existência e com arquiteturas fechadas com os quais a plataforma teria que interoperar de forma transparente para o utilizador, foi o fator base e fulcral de definição de todo o modelo tecnológico da plataforma. O outro pilar diz respeito às restrições de cariz financeiro com as quais a plataforma teria que ser concebida e implementada. No que diz respeito à segurança para o tratamento dos utentes, esse benefício traduz-se no facto de que os profissionais de saúde terão acesso a toda a informação disponível sobre o utente independentemente do local de registo da mesma. Essa situação traduz-se igualmente no apoio à boa prática clínica pois o contexto dessa prática ficará alicerçado num mais amplo e fidedigno conjunto de informação.

http://issuu.com/esaudemagazine/docs/esaude_02/7

(Excerto / Esaúde 02)

Autor: Diogo Reis

Seis Questões a… // Six Questions to… Henrique Martins

1. Considerando que as actividades de prestação de cuidados estão cada vez mais centradas no utente, existe alguma razão para que as entidades privadas, cooperativas e sociais não façam parte do ecossistema da PDS?

Na verdade não existe qualquer razão. Aliás as entidades fazem parte do ecossistema da PDS, só não estão ainda conectadas por 3 razões: 1º aguardamos resposta a um pedido nesse sentido realizado à CNPD; 2º nem todas utilizam o número do utente nos seus repositórios de bases de dados, o que é requisito funcional básico de conectividade e em 3º terá de ser observado o princípio da proporcionalidade de informação, ou seja, devem ser as instituições que do mesmo modo podem consumir informação do SNS, devem de igual forma criar valor para a PDS, com disponibilização de informação clínica de forma estruturada. Dando como exemplo os diagnósticos de saída num hospital público acabam sempre por ser codificados em ICD9-CM, e no universo dos privados o mesmo pode não acontecer, ou noutro exemplo a documentação local de alergias segundo o CPARA.

http://issuu.com/esaudemagazine/docs/esaude_02/5

(Excerto / eSaúde 02)